segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PROFESSORES DE ANTIGAMENTE

As transformações que a sociedade sofreu em cerca de meio século são impressionantes e, dentre elas, a convivência entre professores e alunos, aparentemente, foi a que sofreu mais prejuízos. Os professores tinham mais autoridade dentro das salas de aulas e eram ao mesmo tempo, mais respeitados do que atualmente.

A cobrança era também severa da direção das escolas que, se cobrava o resultado das aulas ministradas, cobrava na mesma intensidade, os atos de indisciplina praticados pelos alunos.


Quem recordou isso foi professor Valdecir Casagrande, que durante 30 anos ministrou aulas da Escola Estadual Capitão Narciso Ber­to­lino, até atingir sua aposentadoria no ano de 1992.

“Estou aposentado e afastado da escola há 17 anos e não posso julgar o comportamento dos alunos de hoje, mas nos 30 anos que trabalhei na Escola Capitão Narciso Bertolino, o professor tinha mais autoridade, a direção cobrava mais dos alunos e dos professores e isso era importante para o equilíbrio entre as duas partes”, comentou.

Embora em situações amplamente diferentes, Casagrande conta que a violência entre alunos sempre existiu: “mas eram situações corriqueiras e não essa violência que a gente ouve e vê hoje, com crianças entrando em escolas e matando dezenas de pessoas, vandalismos, isso daí não existia”.Na época, relata o professor aposentado, predominava as brincadeiras inocentes entre os alunos e, dependendo, até com professores: “jogar papel na cabeça do outro, falar uma besteira qualquer, nada grave”. Casagrande ressalta que “a violência sempre existiu e sempre vai existir a truculência dos maus formados, os que tudo podem pelo poder econômico e pelo poder político, desestrutura da legalidade a ponto de não mais se sensibilizar quando uma prostituta é arrastada até a morte, quando índios são incendiados ou agredidos, quando pedofilia é notícia corriqueira, quando se entra em uma escola e mata dezenas, quando os descolados políticos não recebem o rigor da lei”. Por outro lado, entende que o que acontece atualmente tem fundamento na falta de estrutura, seja familiar, seja da própria escola, que juntadas aos problemas cotidianos, como, por exem­plo, um pai desempregado, situação que chega a agredir não socialmente, mas também a moral do cidadão. “É o pai trabalhador, são as mães nas mesmas circunstâncias, é um futuro sem futuro, o crime, a violência, a lei do mais forte. São soluções imediatas para essa gente, infelizmente. A escola pública é burocrática demais para justificar a sua incapacidade, sem ideal, é uma pena, salvo algumas exceções”, afirma. Na avaliação de Casagrande, não resta dúvida de que a deses­trutura na família gera violência, e violência gera violência. “Acho que não existe grande interesse e a escola está sem um ideal e, sem um ideal e sem alma, a escola está desestimulada e a criança não tem um horizonte, não tem um futuro”.








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